“O Rei Leão, nobre cavalheiro, resolveu certa vez que nenhum dos seus súbditos haveria de morrer na ignorância. Que bem maior que a educação poderia existir? Convocou o urubu, impecavelmente trajado em sua beca doutoral, companheiro de preferências e de churrascos, para assumir a responsabilidade de organizar e redigir a cruzada do saber. Que os bichos precisavam de educação, não havia dúvidas. O problema primeiro era o que ensinar.
Questão de currículos: estabelecer as coisas sobre as quais os mestres iriam falar e os discípulos iriam aprender. Parece que havia acordo entre os participantes do grupo de trabalho, todos urubus, é claro: os pensamentos dos urubus eram os mais verdadeiros; o andar dos urubus era o mais elegante; as preferências de nariz e de língua dos urubus eram as mais adequadas para uma saúde perfeita; a cor dos urubus era a mais tranquilizante; o canto dos urubus era o mais bonito. Em suma: o que é bom para os urubus é bom para o resto dos bichos.
E assim se organizaram os currículos, com todo o rigor e precisão que as ultimas conquistas da didáctica e da psicologia da aprendizagem podiam merecer. Elaboraram-se sistemas sofisticados de avaliação para teste de aprendizagem. Os futuros mestres foram informados da importância do diálogo para que o ensino fosse mais eficaz e chegavam mesmo, uma vez por outra, a citar Martin Buber. Isto tudo sem falar na parafernália tecnológica que se importou do exterior: máquinas sofisticadas, que podiam repetir as aulas à vontade para os mais burrinhos, e fascinantes circuitos de televisão.
Ah! Que beleza! Tudo aquilo dava uma deliciosa impressão de progresso e eficiência e os repórteres não se cansavam de fotografar as luzinhas piscantes das máquinas que haveriam de produzir saber, como uma linha de montagem produz um automóvel. Questão de organização, questão de técnica. Não poderia haver falhas. Começaram as aulas, de clareza mediana. Todo o mundo entendia. Só que o corpo rejeitava….
E assim as coisas se desenrolaram, de fracasso em fracasso, a despeito dos métodos cada vez mais científicos e das estatísticas que subiam. E todos comentavam, sem entender: A educação vai muito mal…”
Disponível em http://blogdaformacao.wordpress.com/2007/02/22/a-educacao-vai-muito-mal-2/
Caro Carlos Eduardo.
ResponderExcluirParabéns pelo seu trabalho.
Acabei de publicar o seu comentário feito em saude-joni.blogspot.com.br
Agradeço, de tabela, o seu "estar em disponibilidade" declarado.
Que seja muito feliz.
Fraternal abraço.
Joni
Obrigado pelo comentário, Joni. A demora na resposta não me passou despercebida, por isso nossas escusas e o fraco argumento de que ainda estou apanhando das novas tecnologias. Abraço
ExcluirMuito bom mesmo.
ResponderExcluir"Façamos em nós a mudança que queremos ver no mundo!" Obrigado pelo comentário.
ExcluirQue tenhamos consciência do nosso importante papel, entendendo que não somos os donos de todas as verdades e que devemos valorizar o conhecimento que cada aluno traz de suas vivências.
ResponderExcluirParabéns pelo seu texto!
O mundo está repleto de saberes e entender que o valor de cada um deles nos permite aumentar em muito o nosso próprio entendimento e possibilita compartilhamos com nossos alunos muito mais do que poderíamos imaginar.
ResponderExcluirÓtimo texto, parabéns.
Todos nós temos nossas experiências e conhecimentos prévios de acordo com o contexto social em que estamos inseridos. Portanto podemos compartilhar essas vivências com os outros, estabelecendo uma troca, aprendendo e ensinando.
ResponderExcluirótimo texto!
Ao ler o texto “Currículo dos Urubus”, de Rubem Alves, foi impossível não refletir sobre como a educação, muitas vezes, é planejada de forma distante da realidade dos alunos. A metáfora dos urubus assumindo o controle do currículo mostra, de forma crítica e bem-humorada, como os sistemas educacionais podem acabar sendo excludentes quando apenas um grupo decide o que é importante aprender — como se todos tivessem que se encaixar num mesmo molde.
ResponderExcluirO trecho que mais me chamou atenção foi: “o corpo rejeitava”. Essa expressão representa algo que já senti na escola: a dificuldade de aprender conteúdos que pareciam não fazer sentido para minha vida. Apesar de todo o aparato tecnológico e dos métodos “modernos”, o ensino continua falhando quando ignora as diferenças entre os alunos e suas realidades.
Rubem Alves nos mostra que educação não é só técnica, mas principalmente escuta, sensibilidade e respeito pela diversidade. O texto me fez pensar que, para haver uma verdadeira transformação na educação, é preciso construir currículos que considerem as necessidades de todos os “bichos” — e não apenas dos urubus.
Lendo este texto de Rubem Alves, é possível refletir que ele quer nos mostrar que devemos respeitar o tempo de cada pessoa, de cada aluno. A educação e o ensino são processos que variam de pessoa para pessoa. O processo de aprendizagem é diferente, não podemos engessar e obrigar que todos aprendam igual, somos seres humanos e diferentes um dos outros, isto envolve o desenvolvimento integral do individuo. O modo que cada um aprende, tem a haver com suas características pessoais, recursos e a interação deste com o professor, ou seja , cada individuo percebe e interage com o mundo tornando seu saber singular e particular.
ResponderExcluiro texto nos esclarece; Comunidade e escola unindo forcas e entendimento , consegue formar cidadão com o objetivo de mehorar sempre . e voltar com um exelente retorno para a sociedade em todos os aspectos.
ResponderExcluirO texto vem nos esclarecer que a humanidade é formada de varios mundos; em sala aula temos uma vasta diversidade e que uma só didática é insuficiente para aprender/ensinar varios indivíduos.
ResponderExcluirÉ interessante pautar sobre um olhar critico, de que a valorização da educaçao deve ser centrada na realidade de cada aluno.
ResponderExcluirdevemos respeitar as diferenças o preconceito e valorizar o que cada um sabe fazer. devemos ter um foco para ensinar em diferentes formas
ResponderExcluirSomente a educação será capaz de transformar o mundo. É necessário que haja a valorização dos profissionais da educação.
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirExcelente texto ,ele mostra que o que é bom para um determinado grupo nem sempre vai ser ir e encaixar na realidade dos demais
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